quarta-feira, 12 de setembro de 2012

GRANDE LAGO.

 

É inevitável que vez ou outra na vida sejamos feridos pelas pessoas, principalmente pelas pessoas que amamos. Alguém nos engana, alguém nos trai, alguém nos trata com falta de respeito, desconsidera nossos sentimentos… O nosso peito é como um grande lago, suave, ladeado por flores, pássaros e todos os tipos de vegetações. Quando alguém nos fere, é como se uma pedra fosse jogada no lago... Tudo fica ondulado por alguns instantes, a superfície perde a limpidez, a água fica momentaneamente turva e o vento sopra de uma forma tão gélida que chega a doer. Mas depois de um tempo, o que naturalmente acontecerá? A pedra atirada ficará quieta em algum lugar lá no fundo do lago, uma prova de que vivemos intensamente, uma experiência de vida que veio para nos trazer sabedoria. A superfície da água voltará a ficar lisa como um espelho, a areia levantada voltará ao fundo e voltaremos a sentir a plácida paz desse lago sagrado.
Maria Luisa Martins

terça-feira, 11 de setembro de 2012

O Amor Vira Lixo!!



 

De todas as peças escritas por William Shakespeare, Romeu e Julieta é indubitavelmente a que mais tem sido utilizada como tema para o desfecho trágico de um amor intenso que não sucumbiu na dor infligida pela sensação de perda. Hoje, você morreria de amor? Cansamo-nos. De lutar. De cair. De lamber as feridas. De abrir o armário e tirar o vestido mais bonito que compramos. Desistimos. Dormimos no sofá. Perdemos a vontade de sair. De comer. De apanhar bebedeiras. De viver. Mandamos mensagens às nossas melhores amigas a dizer que estamos a morrer. Julgamos que já batemos no fundo. E como ele é duro que nem uma pedra! A palavra amor, paixão e todo o seu campo lexical causam-nos vômitos. Arrumamos todos os presentes que nos deram no sótão. Queimamos as cartas e os postais. Apagamos as sms's. Riscamos as fotos. Perdemos anos, meses, dias de vida. Ganhamos experiência, mas nunca a contamos. No dia seguinte acordamos com dores na cabeça e no coração. Chamam-lhe desilusão. Só então percebemos que amamos mesmo. E que é tarde de mais para morrer logo ali. Só porque nos dói o coração e a cabeça. E porque sofremos de uma doença que não ataca as crianças. Queremos levantar-nos. Ir ao encontro dela. Talvez esta seja uma doença que se transmita. Mas não temos forças. A cabeça, que já dói, começa a doer ainda mais. E, como quando somos crianças, começamos a fazer mil e uma perguntas. Desta vez, a nós mesmos. Àquilo a que chamam consciência, voz do coração. Não temos respostas. Nem forças. Nem comprimidos que disfarcem as dores. Pedimos morfina. Voltar. Fechamos os olhos e, por momentos temos o flash da vida. Como se fossemos Pedimos uma tempestade que nos arraste daqui. E até isso nos negam. Estamos sozinhas. Com a desilusão. Nem a morte quer nada conosco. Não. A morte não aparece nestas alturas. Anda ocupada com doenças a sério. Hoje, morre-se por tudo e por nada, no entanto já ninguém morre de amor!
Maria Luisa

 
 

Dizer Adeus!!!!

 

Às vezes é difícil dizer adeus. Às vezes só se sente mais angustiada quem tem que dizer adeus, mas penso que em longo prazo geralmente seria uma boa idéia para deixar o que se tem sem grandes proporções, e que no caso seria isso o mais correto a se fazer. A gente tenta permitir espaço para coisas novas, para a transformação e principalmente pelo que te aguarda ali na frente, mas para quem tem o coração como maior órgão do corpo isso é quase que uma maldade. Talvez o adeus não seja mesmo para sempre, mas tu não podes saber até que tu realmente diga adeus. Em alguns casos, adeus é realmente o fim, e boa viagem! Mas há uma parte em mim que possui o conforto e a calmaria necessária que me faz não enlouquecer por ter que deixar muita coisa para trás, e essa parte sensata encoraja-me a dizer adeus a todas as coisas que eu preciso deixar ir: maus hábitos, pessoas mortas (aquelas que realmente vivem no nosso coração jamais mudarão de endereço), pessoas vivas, ex-namoradas, gente desinteressante, sentimentos auto-destrutivos, comportamentos, etc. Isso tudo pode ser muito injusto, dolorido, mas as minhas piores dores sempre serão as palavras que eu não posso dizer. Cada sentimento e palavra que guardo no peito ao invés de dizer, é como se um osso meu fosse quebrado automaticamente. Portanto, o sensato seria dizer por mais utópico, louco, romântico, idiota e surreal que seja. O correto seria dizer enquanto é tempo. O adeus pode ser tão longo ou tão curto quanto quiser. E, mais importante, é ter um momento com cada um para realmente dizer adeus. Isto não é um catálogo de medos e falhas, esta é uma cerimônia capitulada em forma de texto que o qual achei mais digna para me despedir. E mesmo que eu ou o mundo mude, sempre será amor. Mesmo que tu não passes de uma falsa-paixão-de-dez-segundos. Mesmo que, para isso, eu tenha que esquecer como é que se volta para casa. Mesmo que o mundo me peça para não ficar. Por ora, me despeço desse capítulo da minha vida. E estou receptiva para o que vem a seguir.
Maria Luisa

 

HAVERIA DE EXISTIR.

 

Acho que ninguém vai entender. Ou, se entender, não vai aprovar.
Existe em nossa época um paradigma que diz: enquanto você me der carinho e cuidar de mim, eu vou amar você. Então, eu troco o meu amor por um punhado de carinho e boas ações. Isso a gente aprende desde a infância: se você for uma boa menina, eu vou lhe dar um chocolate. Parece que ninguém é amado simplesmente pelo que é, por existir no mundo do jeito que for, mas pelo que faz em troca desse amor. E quando alguém, por alguma razão muito íntima, pára de dar carinho e corre para bem longe de você? A maioria das pessoas aperta um botão de desliga-amor, acionado pelo medo e sentimentos de abandono, e corre em direção aos braços mais quentinhos. E a história se repete: enquanto você fizer coisas por mim ou for assim eu vou amar você e ficar ao seu lado porque eu tenho de me amar em primeiro lugar. Mas que espécie de amor é esse? Em minha opinião é um amor que não serve nem a si mesmo e nem ao outro. Eu também tenho medo, dragões aterrorizantes que atacam de quando em quando, mas eu não acredito em nada disso. Eu digo a mim mesma que o mundo no qual eu acreditava haveria de existir em algum lugar do planeta!
Haveria de existir! Nem que este lugar fosse apenas dentro de mim... Mesmo que ele não existisse mais em canto algum, se eu, pelo menos, pudesse construí-lo em mim, como um templo das coisas mais bonitas que eu acredito, o mundo seria sim bonito e doce, o mundo seria cheio de amor. E, nesse mundo, ninguém precisa trocar amor por coisa alguma porque ele brota sozinho entre os dedos da mão e se alimenta do respirar, do contemplar o céu, do fechar os olhos na ventania e abrir os braços antes da chuva. Nesse mundo, as pessoas nunca se abandonam. Elas nunca vão embora porque a gente não foi uma boa menina. Ou porque a gente ficou com os braços tão fraquinhos que não consegue mais abraçar e estar perto.
Mesmo quando o outro vai embora, a gente não vai. A gente fica e faz um jardim, um banquinho cheio de almofadas coloridas e pede aos passarinhos não sujarem ali porque aquele é o banquinho do nosso amor, o nosso grande amigo... Para que ele saiba que, em qualquer tempo, em qualquer lugar, daqui a quantos anos, não sei, ele pode simplesmente voltar... Sem mais explicações, para olhar o céu de mãos dadas.
Maria Luisa

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Meu Sol!

 

Noite passada eu chorei. De novo. De cansaço dormi entre soluços e levantei-me no outro dia sem lembrar que calei horas antes meu despertador. Atrasada. Tudo começou e acabou da mesma maneira: Eu, minha bolsa jogada na cama e uma tela em branco. Busquei na minha última lembrança e me afoguei em pequenos sentimentos aumentados pelo tempo. Senti o que chamam de saudade e tentei convencer meu coração que ele deveria traduzir tudo aquilo para o meu cérebro em forma de palavras. Dei um lindo fim para esta história e terminei mais um texto, quem sabe, de amor. E então comecei a chorar. De novo. Hoje, por alguns momentos fiquei olhando o céu. Reparei nas nuvens. Na maneira engraçada com que elas se movimentavam lá em cima. Algumas rápidas, como se estivessem muito atrasadas ou apostando corrida entre si, outras lentas, tão lentas que nem pareciam se movimentar. Naquele momento percebi que elas eram como a paixão. Pois como as nuvens, algumas paixões deixam marcas (tempestades, enchentes, chuvas…), mas de alguma maneira, sempre passam e cicatrizam com o tempo. E como existem infinitas nuvens, nós vivemos infinitas paixões. Algum tempo depois, percebi o brilho do sol. Como ele era soberano sobre todas as outras coisas. Seu calor iluminava e ao mesmo tempo, esquentava todos os seres, mantendo assim tudo em perfeita harmonia. Naquele momento percebi que o sol é como o amor. Pois assim como ele, o amor nos aquece e nos auxilia nos dias frios que temos no decorrer de nossas vidas. E assim como o sol, o amor é único. A estrela brilhante que jamais conseguiremos alcançar, mas que se for à hora certa, sempre conseguiremos sentir. Independente da distância. Do tempo. E todas as outras coisas. Antes de escurecer, fechei meus olhos e agradeci a Deus. Eu já não preciso mais entender o formato das nuvens. Meu sol está em algum lugar do universo, só falta amanhecer na minha vida.
Maria Luisa Martins

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Faz parte!!!!!!!!!!!!!!!!

 

Sempre achei e, hoje sublinho a minha certeza que namoro, casamento, romance, tem começo, meio e fim. Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa:
- Ah, estavam juntos há tanto tempo... Cinco anos... Que pena... Acabou... Não deu certo...
Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. Não acredito em pessoas que só se complementam. Acredito em pessoas que se somam. Às vezes não consegues nem dar cem por cento de ti para ti própria, como cobrar cem por cento da outra? E não temos essa coisa completa. Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama. Às vezes ela é carinhosa, mas não é fiel. Às vezes ela é atenciosa, mas não é trabalhadora. Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível. Tudo junto não vamos encontrar. É necessário que perceba qual o aspecto mais importante para mim e investir nele. Pele é um bicho traiçoeiro. Quando tens pele com alguém é uma delícia. E às vezes temos aquele sexo acrobata, mas que não nos impressiona... Acho que o beijo é importante... E se o beijo bate... Jogo-me... Se não bate... Bem aí não vale a pena… E vou dar uma volta. Se ela não me quer mais, não forço a situação. O outro tem o direito de não me querer. Não brigo, não ligo. Se a pessoa está com dúvidas, problema dela, cabe a mim esperar... Ou não. Existe gente que precisa da ausência para querer a presença. O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama. Que graça tem alguém do meu lado sob pressão? O bom é alguém que está comigo, só por mim. E vice-versa. Não fico com alguém por pena. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando acordo, a primeira impressão é sempre minha, meu olhar, meu pensamento. Tem gente que salta de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só na sua própria companhia? Gostar dói. Muitas vezes nós vamos sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração... Faz parte. Convivemos com outro ser, outro mundo, outro universo. E nem sempre as coisas são como gostaríamos que fossem... A pior coisa é gente que tem medo de envolver-se. Se não querem envolver-se, namorem uma planta. É mais previsível. Na vida e no amor, não temos garantias. Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear. E nem todo sexo bom é para descartar... Ou se apaixonar... Ou se culpar... Enfim...quem disse que viver é fácil????
Maria Luisa.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O momento certo!

 

Você acha que está tudo certo com você?! Quando achamos que tudo está indo bem acontece alguma coisa para dar uma balançada ou talvez para testar se realmente estava tudo indo bem mesmo. O conformismo e a rotina nos tranqüilizam e dão uma sensação de que tudo está bem, mas, será? Se coincidências não existem e se o destino está escrito porque fugir dos sinais que aparecem na nossa frente mostrando um novo caminho para a felicidade? Para uma vida nova com milhões de possibilidades, novos conhecimentos, novas tentativas, novos erros e acertos? Por que fugir? Será que talvez seja o medo do desconhecido? De não saber o que vai encontrar do outro lado da porta? Só tem uma maneira de saber, abrindo a porta e para abrir é necessário ter certeza, ter coragem, pois a porta pode estar trancada se a dúvida prevalecer. Abrindo a porta, um mundo novo surge a sua frente, com possibilidades nunca imaginadas. Neste mundo tudo pode acontecer para que a sua vida seja mais feliz, vai depender apenas de VOCÊ, pois, é você que cria e destrói. Um novo capítulo na sua história começa a ser escrito a partir do momento que sua mão toca na maçaneta para abrir a porta. Pode parecer que vários sinais são enviados para nos alertar, mas, na verdade são poucos e às vezes não notamos e não notamos justamente pela comodidade, se está tudo bem pra que vou mexer? Pra que começar um novo capítulo quando já sabemos o final do livro? A resposta é simples, se um sinal te fisgou, se uma das peças da vida te pegou, é por que estava na hora de uma mudança. Pode até ser que você não queira aceitar, mas, a hora chegou e não adianta lutar contra, outras evidencias aparecerão para confirmar os primeiros sinais. Se a porta não for aberta, os pensamentos começam a ficar confusos e o mundo começa a girar mais rápido. Vai ser um eterno conflito interno, aquela voz na cabeça perguntando se você fez a coisa certa, perguntando por que não aproveitou talvez a única chance de alcançar a felicidade total, um estágio emocional nunca antes experimentado? Provavelmente você não terá respostas e o conflito só vai crescer até que você resolva investir na abertura da uma nova porta. Nossa sorte é que nunca é tarde demais e a porta que nós não tínhamos percebido a algum tempo atrás ficou muito clara pra nós agora. Você quer abrir?
Maria Luisa Martins


Sentir Você.

 

Sinto o gosto dos seus beijos delicados, saborear os meus lábios, o calor de sua pele, fazer o meu corpo se curvar ao prazer e a maciez de seu toque, envolver meu espírito, sinto você brincando de amar entortando o meu coração fazendo me perder em seus desejos, sem me deixar raciocinar.
Sinto seus movimentos carinhosos e ligeiros, enlouquecendo minha mente, fazendo-me morrer por alguns segundos, saboreio os delírios de meus pensamentos, mas... Eu quero estar com você, sentir você, sua alma, seu corpo, sua boca.
Quero ouvir suas fantasias sussurradas na noite, acordando meus extintos, arrancando a minha pele, arranhando os meus sentimentos de paixão, quero seu corpo colado ao meu, fundindo-se, amando-se, acabando-se.
Quero modular suas curvas com as minhas próprias mãos, quero sugar todas as suas gotas de suor, com a ponta de minha língua, quero todos os seus gritos de loucura e prazer, quero sentir você, quero amar você, meu amor, minha paixão.

Maria Luisa

sábado, 1 de setembro de 2012

AMIZADE DURA PARA SEMPRE?

 
 
Uma vez alguém me disse que amigos é algo muito difícil! Discordei, mas ela reforçou… Nós temos é companheiros de jornada! Será que é assim? Aí pensei: Que pena! Tenho a certeza que procuro deixar um pouquinho da minha essência e do meu carinho a todos. Quando abraço, faço-o com carinho, quando sorrio, faço-o com sinceridade, quando chamo a atenção, faço-o para buscar o melhor de si. Terei sangue de barata? Serei bobinha? Rs Acredito que o maior tesouro é contar com muitos que querem o meu bem, que torcem mesmo de longe por mim, que fazem uma prece do fundo do coração, ou que dizem: olá, estou aqui, se precisar! Mas... Ás vezes passa pela minha cabeça: Amizade dura para sempre? Eu devo confessar que também já tive algumas decepções com amigas, costumo ser muito leal com as minhas amizades, mas nem sempre a recíproca é verdadeira. São decepções que vamos colhendo ao longo da vida e passamos por vezes a não confiar tanto quanto confiávamos no passado. Uma das piores coisas que pode existir é saber que você foi leal, confiou em uma amiga e esta não correspondeu a altura. Há diversos tipos de traições, não existe somente a traição entre casais, entre namoradas, existe também a traição entre amigas. Traição não relacionada com a nossa amiga e a nossa namorada, mas traição relacionada a confidências trocadas, segredos repartidos, confiança cega. Quantas não foram às vezes em que a ‘suposta’ amiga pôde contar com você em qualquer circunstância, e quando foi você a precisar ficou ‘a ver navios’. Como diriam os antigos ‘Cautela e canja de galinha não faz mal a ninguém”. Claro há quem tenha a sorte de ter uma amiga fiel escudeira, sempre presente e pronta para tudo, mas certamente são raras. Agora se você tem uma amiga assim, então, parabéns para você! Preserve e cuide para que esta amizade nunca termine… Che l’amicizia é perpetua mentre ultimi!
Maria Luisa Martins
 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Primeiro Amor.

 

Hoje de manhã, estava em caminhada pela rua e deparei-me com a cena de dois jovens a trocar olhares e isto fez com que refletisse e voltasse aos meus 15 anos, iniciando as aventuras da vida em relação ao aprimoramento do amor... Como é lindo observar duas pessoas começarem a viver o amor com a intensidade que já vivenciamos... Isto faz com que possamos viajar e recordar bons momentos, que graças a Deus não somem de nossa memória, somente dão um tempo.
Vê-se cumplicidade nos olhos, não há palavras, somente troca de olhares. O coração se completa, as palavras são silenciosas, mas são verdadeiras, são entendidas e compreendidas na primeira pessoa. Quem já viveu, quem já sentiu esta sensação de tremura, de calor, nunca esquecerá. As primeiras vivências em nossa trajetória ficam inesquecíveis. Neste sentimento o mundo é cor de rosa, tudo parece se tornar muito acessível. Não tem dificuldades, tudo parece ser eterno e um grande sonho, como conto de fadas. Mas a vida vai passando e com ela vamos aprendendo que neste caminho também existe decepções. Faz parte do amadurecimento, do aprendizado. Este fortalece, nos mostra que não morremos com o fim do primeiro amor, com perdas que não admitimos em nossa vida, mas que infelizmente farão parte deste mundo. Acho que o importante é a chance e a oportunidade que tivemos de sermos felizes, de acertarmos, de errarmos, de enfim fortalecermos. Vivemos momentos felizes, demos oportunidade para que a vida oferecesse momentos únicos e cúmplices. Sofrimentos sempre farão parte de nossa trajetória, mas nunca estamos sozinhos, isto é certo... Tenha a certeza que na vida nada acontece por acaso! Após algum tempo você olha e vê que a vida continua e o mundo não acabou, surgiram novos amores, novas decepções, novos caminhos e novas decisões, mas… O importante é em algum momento você ser feliz!

Maria Luisa Martins
 

COISAS DO CORAÇÃO

 

A vida é assim mesmo, não vem com manual. Seria muito mais fácil se viéssemos a este plano integrado com alguma cartilha ou manual de instruções. Os erros e posteriormente acertos seriam previstos de forma a nos contemplar com aquele dom que todo ser humano dotado de ansiedade e ambição costuma querer, o de ter o controle da própria vida. Seria menos ardido dobrar a esquina de casa com a mais absoluta cautela sabendo que na próxima curva eu cairia de peito no asfalto esfolando os joelhos. Seria menos dolorido ouvir um “adeus!” ou sentir saudade de quem já foi embora caso eu soubesse que um dia poderia presenciar tal dramaturgia. Mas a gente não vem pronto, a gente vem incompleto. Nasce incompleto, cresce incompleto e em vezes até morre incompleto. Tem coisas que a gente sente vontade de ter, mas o que realmente a gente quer na verdade não é nada, sequer isso exista, ou seja, matéria. Poder ser humanamente abstrato, aí sim é que vejo beleza nessa incessante vontade de ter. A gente não se dá conta, mas o tempo todo estamos aptos a ter algo, a receber algo. Se tivéssemos nosso manual em mãos à incerteza seria riscada do nosso dicionário, mas, e aquele gostinho da surpresa que muitas vezes nos arranca suspiros e nos tira, por um momento, o ar dos pulmões? Erroneamente muita gente se sentiria contemplada, mas eu não. Que graça teria se eu soubesse que aquela pessoa querida iria me ligar no fim da noite, ou mandar um telegrama, uma carta de amor ou um email mesmo? Pessoa querida é aquela que entra na sua vida sem manual de instrução. É aquela que te abre um sorriso no rosto seguido de um agradecimento toda vez que recebe um elogio teu; é aquela que não te define e classifica pelo seu status, mas sim pelo fato de você ser simples e essencial ao mesmo tempo na vida dessa pessoa. Eu não sabia que esse tipo de pessoa existia e me faria existir também, mesmo não tendo um cronograma indicando que a mesma entraria na minha vida, mas depois a dona metáfora me ensinou que quem abre as portas das palavras pra acolher alguém dentro do coração é digno de consideração, e que muitas vezes o sentido ultrapassa o significado. Eu faço sentido para alguém e alguém faz sentido para mim. E tu, faz? É só isso que eu preciso saber. Na verdade, quem tem que saber é você. Eu já sei.
Maria Luisa Martins

segunda-feira, 23 de julho de 2012

TUA BOCA.




Tua boca tem escoras de mármore talhadas de amor para me acertar o coração,
Tem o néctar de rosas, lírios e orquídeas para me lambuzar
Tem prisões de felicidade para me aprisionar.
Tua boca tem colibris coloridos, tem jardins floridos, tem mar
Para eu em ti sempre mergulhar.
Tua boca tem o pecado segredado em meus olhos,
Tem meu desejo desenhado em seus seios,
Tem valsas minhas que se alongam em seus braços,
Tem rios de sonhos que me sonham.
Tua boca tem palavras de saudade e águas que correm em extensão ao meu corpo para matar a sua sede,
Tua boca tem beijo com lábios de mel e carmim,
Tem a imperceptível luz que reside no silêncio volátil do meu ser...
Beijossssss!
Maria Luisa Martins

Desenho: Maria Luisa

BILHETE!




Meu bem, você sabe que não tenho dias especiais para falar de carinho, falar de amor, não preciso de todos os dias a toda a hora dizer que te adoro, pois você sabe muito bem o quanto te quero o quanto penso em ti. Não penso em ti apenas em momentos, porque você é o meu momento.
Envio este bilhete, como mensageiro de um bem querer sem fim! Para que possa, assim como eu, ter a certeza de que todos os momentos que vivemos são recheados de imenso carinho e respeito. Às vezes estes detalhes passam despercebidos, como anjos que nos rodeiam e não podemos sentir.
O Mundo pode por infindáveis vezes, nos desencorajar a confessar os nossos sentimentos mais profundos. Às vezes discussões sem sentido, não deixam um beijo doce acontecer. Mesmo assim nós decidimos, que apesar do mundo de hoje praticamente não dar espaço ao romantismo, iremos contra todos os obstáculos que a vida moderna nos impõe. Por isto, vou levar-te através desta carta, o meu coração... Ele está contido em cada palavra desta carta, escondido nas entrelinhas.

E meu bem, quando estiver a ler as minhas palavras, feche os seus olhos e deixa o teu pensamento percorrer os nossos instantes. Porque verá que em todos eles, eu disse que te adoro, seja com os lábios, seja com meu sorriso, ou com os olhos?
Maria Luisa Martins


MOMENTOS QUENTES!



Olhos negros, cor da noite, tão ardentes;
Cabelos longos os meus versos afagavam,
Sobre juncos dobrados, mas contentes
Por enlaçarem as bocas que se beijavam.
Minhas mãos, docemente lhe tocavam
Numa alegria vibrante e entontecida,
Seus braços com volúpia me abraçavam,
Deitadas sobre a areia adormecida.
Sob aquele adormecido Sol escaldante,
As ondas espraiavam-se com cadência...
E os beijos sôfregos, nesse instante
Eram segredos na nossa consciência.
Maria Luisa

SORRISO.




Estava aqui pensando! Sim, porque a gente sempre pensa, como fala minha namorada! Quero que fique bem claro que concordo plenamente com ela Rs. Pois então, estava aqui pensando que o sorriso é uma dádiva barata que está em nossas mãos para oferecer a alguém, se podemos fazer o dia de alguém melhor, basta apenas um sorriso. Lembro-me, quando era mais nova, adolescente, que andava na escola com um livrinho atrás para que os nossos amigos e amigas escrevessem qualquer dedicatória… Chamavam-se livros de autógrafos. Na altura não queríamos os autógrafos de pessoas famosas, queríamos apenas os dos amigos, porque eram eles que mais interessavam na nossa curta vida. Nesse livro escrevíamos uma quadra, uma frase... Interessava apenas pôr lá uma coisa qualquer e assinar. O meu livro estava cheio de quadras, frases, e evidentemente muitas assinaturas… Às vezes quando se procura algo, encontram-se dentro de um baú estas preciosidades e ficamos a tentar lembrar quem eram aquelas pessoas. Na verdade umas lembro-me, algumas nem por isso. Lembro duma das frases que me marcou para sempre: “Sorri sempre, ainda que o teu sorriso seja triste. Porque mais triste que o teu sorriso triste é a tristeza por não saber sorrir”. Nunca soube quem a escreveu, a original, mas sentia-a profundamente. Ainda hoje, e na verdade, assim é.
Quando estamos tristes por alguma razão, um sorriso alheio faz-nos sentir o impulso a responder com um sorriso, e, como que por magia, as razões para essa tristeza diminuem. E que dizer quando os filhos sorriem para os pais? São sorrisos que nos fazem sentir nas nuvens, com uma alegria imensa que só os filhos fazem os pais sentir… Receber um sorriso das pessoas de quem gostamos, saber que estão felizes, é do melhor que o mundo tem. Para ver um sorriso no rosto das pessoas de quem gostamos movemos céu e terra. E então, sorrimos também. Porque nos sentimos realizados. Nada… Mas mesmo nada volta a ser igual até que um sorriso, verdadeiro e sentido, regresse e nos contagie.
Aqui vai o meu sorriso para ti, amor.

Maria Luisa Martins

 

segunda-feira, 16 de julho de 2012

PARADOXO!




Em Portugal, presentemente o assunto mais imediato é a “dita cuja” Crise! Em minha opinião a Crise está para os Portugueses como a virose para os médicos: serve para justificar tudo. Vamos lá ser sinceros, a Crise veio dar um jeito do caramba! O que eu acho é que a nossa vida é de fato um paradoxo do nosso tempo na história. Temos prédios muito mais altos, auto-estradas mais largas, mas pontos de vista mais estreitos; gastamos mais, mas temos menos; nós compramos mais, mas desfrutamos menos esta é a grande verdade da vida. Temos casas maiores e famílias menores. Mais medicina, mas menos saúde. Temos maiores rendimentos, mas menor padrão moral. Bebemos demais, fumamos demais, gastamos de forma irresponsável, rimos de menos, conduzimos rápido demais, nos irritamos muito facilmente, ficamos acordados até tarde, acordamos cansados demais, raramente paramos para ler um livro, ficamos tempo demais diante da TV e raramente pensamos...! Multiplicamos nossas posses, mas reduzimos nossos valores. Amamos raramente e odiamos com muita freqüência. Aprendemos como ganhar a vida, mas não vivemos essa vida. Adicionamos anos à extensão de nossas vidas, mas não há vida na extensão de nossos anos. Já fomos à Lua e dela voltamos, mas temos dificuldade em atravessar a rua e nos encontrarmos com nosso novo vizinho e dizer um simples e simpático “Olá! Ou um simples bom dia!”


Estes são tempos em que apelamos à educação, à cordialidade, mas onde se dá espaço à mínima falta de respeito, onde entram na nossa vida com tudo, sem bater na porta, sem ao menos pedir licença! Deixamos de ter tempo para fazer o que mais gostamos, não temos tempo para nada. O tempo passa a correr diariamente. Conquistamos o espaço exterior, mas nosso espaço interior fica muitas vezes vazio. Fazemos coisas maiores, mas não coisas melhores. Limpamos o ar, mas poluímos a alma. Estes são tempos de refeições rápidas e digestão lenta; de homens altos e caráter baixo; lucros expressivos, mas relacionamentos rasos. Estes são tempos em que se almeja paz mundial, mas perdura a guerra nos lares; temos mais lazer, mas menos diversão; maior variedade de tipos de comida, mas menos nutrição. São dias de duas fontes de renda, mas de mais divórcios; de residências mais belas, mas lares quebrados.
São dias de viagens rápidas, moralidade descartável, focadas de uma só noite e pílulas que fazem de tudo: alegrar, aquietar, matar, dormir…
É um tempo em que há muito na vitrina e nada no stock, um tempo em que a tecnologia pode levar-lhe estas palavras. Você pode escolher entre fazer alguma diferença e não justificar o injustificável!
Maria Luisa Martins

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Pedaços.




Enquanto esperava

Por sua presença

A boca secava

Esperando por seus beijos.

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Por momentos vivemos um sonho.

Acordei e os teus olhos sorriam para mim.

Acordei e as carícias transformavam-se em palavras.

Maria Luisa.


Espera!




Estive até agora à espera para escrever este texto. Foram várias horas de espera que finalmente a espera deu frutos. Devo, no entanto avisar para quem não gosta de esperar o ideal é terminar a leitura aqui mesmo, senão o mínimo que podemos esperar é um ataque de nervos. Enquanto meu amor me esperava, fui eu por acaso que acabei por fazê-la esperar, e ai conclui sem muito esforço que a espera é tão habitual como o ar que respiramos.
Senão vejamos: Primeiro alguém espera um período fértil, um dia de boa disposição e finalmente espera-se o resultado. Depois se espera o tempo necessário e espera-se que tudo corra bem.
E “voilá”, eis que começa uma longa e paciente (ou não!) espera.
A infância é uma espera eterna para se crescer, para nos fazermos ouvir, esperamos afeto e a concretização de sonhos.
Enfim se cresce, espera-se muito sucesso, realização e bem estar, é legitimo. Profissionalmente espera-se reconhecimento e dinheiro, e espera-se que isso se traduza em segurança e conforto. Espera-se poder chegar a “chefe” e se isso não for possível, espera-se pelos menos que a/o chefe seja cinco estrelas. Em cada dia de trabalho espera-se que o tempo passe rápido para chegar a hora de ir para casa (ou outro sítio).
Espera-se que passe a semana para o merecido descanso de fim-de-semana. Mas como não chega, espera-se que passem as estações para que cheguem as férias, no fim das quais esperamos que as próximas sejam (ainda) melhores. Ou então se espera que chegue a promoção ou o aumento.
Não satisfeitas esperamos ainda que passem os anos para que chegue a reforma. Esperamos ainda que esta não traga muitos cabelos brancos e espera-se também que estejamos em perfeita forma para desfrutá-la.
Paralelamente espera-se encontrar uma alma gêmea que nos entenda para lá do humanamente possível, espera-se que além disso tenha os atributos necessários para se encaixar o mais aproximadamente à nossa escala de requisitos exigidos, enfim espera-se a perfeição (ela própria!). À falta de perfeição espera-se pelo menos que seja muito boa.
No nosso caso temos ainda um conjunto adicional de esperas especialmente concebidas para nosso consumo: esperamos ver os direitos das lésbicas cada vez mais reconhecidos, esperamos que uma família biológica seja receptiva às nossas preferências.
Espera-se que os nossos amigos, os vizinhos, os colegas de trabalho e afins, não sejam demasiados hetero-exacerbados.
Para além de tudo isto, espera-se que o buraco do ozônio não cresça, espera-se que a poluição generalizada possa ser combatida, espera-se que tapem os buracos daquela rua por onde se passa todos os dias, espera-se que os impostos não aumentem, que a inflação desça, espera-se ter tempo para calafetar as janelas antes do Inverno…
Finalmente espera-se ter paciência para todas estas esperas! Depois de tudo isto, parece que quem espera afinal não desespera! VIVE! E já agora eu fico à espera que gostem!! (Risos)
Maria Luisa Martins


ELEMENTOS!




Pedi ao vento, ao Sol, e as nuvens, três elementos da natureza que me ajudassem a levar até ti um pouco de mim. O vento disse-me que levaria a brisa suave aromatizada com o perfume do meu corpo para que quando ele passasse você sentisse o meu cheiro, e inebriada de desejo se lembrasse de mim. O Sol, por sua vez, afirmou que levaria até ti um pouco do meu calor, para que ao sentir os seus raios a tocarem no teu corpo, se lembrasse das minhas carícias. Por sua vez, as nuvens declaram que passariam junto de ti, e lá do alto dos céus fariam cair uma leve e passageira chuva onde em cada gota poderias saborear os mais variados sabores que o meu corpo te dá. Enquanto agradecia, feliz, aos três elementos da natureza que me propuseram ajudar, apareceu um rouxinol que disse que se juntaria ao vento, ao sol, e as nuvens, e que através do seu belo canto iria  transmitir a você o quanto eu te adoro.
Maria Luisa Martins

quarta-feira, 11 de julho de 2012

EU SONHO.




Se um dia eu adormecer
Para nunca mais acordar
Dormirei em seus braços
Com tuas mãos a me afagar,
E com você, com certeza
Eu irei sonhar
Assim como em seus sonhos
Eu sonho em estar
E numa praia deserta
Iríamos nos encontrar
Mãos dadas, juntinhas.
Por do sol a admirar
E quando a lua chegasse
Com a noite a esfriar
Para aquecer o teu corpo
Eu iria te abraçar
E rosto no rosto
Olhar no teu olhar
Nossos lábios molhados
Ah, eu ia te beijar.
E nesse beijo ardente
O tempo ia parar
Porque o paraíso, meu bem.
É viver a te beijar!


Maria Luisa Martins

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Vem cá...




Vem cá, vem meu delírio…
Beija-me como quem procura água em desespero
Domina minha alma com teu corpo flamejante
Desvenda-me, desnuda-me por inteiro...
Sinta o beijo desta boca delirante.
Faça-me em mil suspiros de carícias mais intensas
Conte-me teus desejos guardados ao pé do ouvido
Deixe nossos corpos bailarem nessa dança,
Onde o ritmo é o som insaciável do nosso gemido.


Maria Luisa Martins

AMA-SE




Por mais que tentemos dizer o porquê de amar alguém, existe sempre alguma coisa que não conseguimos colocar em palavras, há sempre algo inexplicável. Mas o fato é que se ama! Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que a outra nos dá, ou pela inquietude que provoca.  Ama-se pelo tom de voz, pelo brilho do olhar, pela emoção que sentimos nas palavras. Ama-se pela fragilidade que se revela quando menos se espera! Ama-se pela necessidade de aproximar a mão de quem escreve, dos olhos de quem lê.  Ama-se pela calma, tranquilidade, paz que a outra nos aporta. Ama-se ao sentir o abraço, ama-se quando olhamos o azul do mar e sentimos a brisa bater-nos no rosto. Ama-se quando queremos agarrar os sonhos, agarrar os momentos bons que passam na nossa vida. Ama-se quando afastamos para longe as memórias menos boas do passado. Ama-se quando se vive intensamente o presente! Ama-se quando nos doamos por inteiro. Ama-se simplesmente porque se ama!
Maria Luisa Martins

PRAZER




Olho demoradamente teu corpo nu sobre a cama
Sinto um desejo ir fluindo nas entranhas do meu ser
Você ali adormecida esquecida que existe tempo
Deixo meus dedos deslizarem suavemente sobre a tua pele
Sinto um sorriso entre dentes nos teus lábios acordados
Saboreando cada toque que sente na plena sensualidade
Contorce-se lentamente ficando numa posição inerente
Com teu gesto meu corpo vai aquecendo num ritmo quente
Murmurando ao seu ouvido peço-te que sinta meu corpo
Que me inebrie com a paixão que está fluindo do teu ser
Você sou eu... Eu sou você neste eterno prazer de fazer amor.


Maria Luisa

CHAMA ARDENTE




No tato o ato se segue,
O beijo na nuca,
Os dentes no queixo,
Pelo amor estamos entregues.
As estrelas no céu festejam,
Enquanto ritmadas suamos,
O sabor cálido exposto no beijo,
E a voracidade do corpo.
Provocadas pelo instinto,
Consumamos leves,
Loucuras entre nós,
Em gemidos e atritos térmicos.
Invadimos uma da outra o limite,
Uma mistura de sabores,
De sons e ruídos,
De pele marcada, e palavrões ao pé do ouvido.
Desfalecemos juntas,
Pairamos num instante,
Olhares cerrados em sorrisos abertos,

Felicidade exprimida no cheiro de chama ardente pelo ar.

Maria Luisa

PENSAMENTO.



Neste exato momento
em que escrevo estas palavras,
é teu o meu pensamento,
embora tu não o saibas,
em que, num sorriso, imagino
o toque da tua pele
e imagino nos teus lábios
o mais puro e doce mel.
E imagino segredos
e histórias por revelar;
e com a ponta dos meus dedos
anseio em te tocar;
e num tom de voz baixinho
ao teu ouvido sussurrar,
enquanto te faço um carinho,
enquanto leio o teu olhar.
E, logo depois, lentamente
pegar na tua mão;

Sentir nela, o teu corpo quente,
sentires nela o meu coração.
E depois suave e doce 
afagar o teu cabelo,
como se um poema fosse,
como se pudesse eu escrevê-lo.
Imagino finalmente,
ou talvez seja o maior desejo,
abraçar-te ternamente,
enquanto provo o teu beijo.


Maria Luisa Martins

Você!



Você é sorriso tímido em algumas horas e gargalhada escancarada em outras. É o tesão de uma missão cumprida, com gostinho de quero-mais-ainda. É uma piadinha boba bem contada. É um sorriso aberto de quem estava com saudades de me ver. É muitas amizades e amigos.
É o arroz soltinho, ovo com gema bem cozida, suco de laranja, vitamina de abacate, pizza de mussarela e danoninho. E na sobremesa, você é um bolo de morango cheio de chantilly. É muito, mas muito chocolate, de todo jeito.
É sua casa mais do que a rua, os móveis confortáveis e a cozinha. É o olhar o céu da varanda com noite de lua cheia e estrelas brilhando, em tempo ameno, ouvindo música. É o seu quarto. É a sua cama e dormir agarrada com o travesseiro. É a mesa e a cadeira do computador. É o banho gelado em dia quente. É cremes, perfumes, batom vermelho. É sapato sem salto, meia fina, lingerie de renda, calça jeans e blusas coloridas. É pouca maquiagem, cabelo preso e cabelo solto e arrumado. É as gavetas com fotos, cartas, lembranças.É lápis de cor, tinta, papel.
É uma idéia de organização que sempre se concretiza. É um SIM gigante e uma boa criativa e intuitiva. É uma vida lotada de amigos, um sorriso simpático, compreensão acima de tudo, um abraço inesperado. É o dizer e ouvir palavras que emocionam.
É um punhado de histórias, contos e textos de amor, todos longos e intensos. É a recusa de ficar ao lado de alguém só por ficar. É a opção de um romantismo e sem vergonha de ser assim. É uma folha em branco pra desenhar e escrever o que tiver vontade. É segurar as lágrimas nos olhos. É o calar pra não magoar, é de deixar a poeira ficar bem baixinha pra depois conversar. É gentilezas, carinhos e mimos. É dormir abraçada, um olhar arrebatador, uma palavra sussurrada no ouvido, um telefonema quente, uma brincadeira excitante, uma loucura, um beijo roubado. É muito, muito beijo, muito toque, muito abraço apertado, muito desejo, se entregar totalmente e se sentir segura e amada. É dengo té não poder mais. É persistir até onde aguentar.
É ficar tentando lembrar do que você sonhou toda manhã. É saudade dos seus amigos da adolescência, das escolas onde estudou e dos professores que teve. É a saudade de pessoas que amou muito e que se foram. É a vontade de voltar a ser uma menina quando cansa de ser adulta, e é o orgulho de ter vencido até aqui. É um eterno procurar o lado bom da situação, um eterno racionalizar.
É Vitas, Maria Bethania, novela das 9, filmes, novo cinema nacional, Internet com conexão rápida e milhares de e-mails, Fernando Pessoa, música de todos os jeitos.
Não é de jeito nenhum (por mais que você tente), suco de caju, grosseria, esporte na TV, academia, noite de calor.
Você é assistir um filme com seu amor, debaixo da coberta num dia frio. Ligar música bem alta enquanto arruma a casa. Surpreender e ser surpreendida. Contar histórias pra seu filho. Ouvir palavras doces e elogios sinceros. Comer morango lambuzando. Receber ligação no celular. Descobrir que você estava certa. Ser desculpada quando pisa na bola. Você é cheiro de neném. Você é a emoção do perigoso, desde que eu possa cobrir o risco.

Maria Luisa Martins